abril 04, 2007

NASCER E MORRER

Como diz o poeta "há um tempo pra nascer e um tempo pra morrer." Todos os pensadores da história humana, sejam da antiguidade, sejam contemporâneos, concordam em alguns pontos essenciais. Tudo é passageiro. Tudo é fugaz. Nada é para sempre, perdura. O que nasce morre. A angústia do ser humano, ao longo dos séculos, no esvair do tempo, reside exatamente na resistência à idéia de que tudo é precário, provisório. A essência da condição humana é a fragilidade, a transitoriedade. A construção apenas antecipa a destruição, o nascimento apenas antecipa a morte. A ilusão maior da humanidade cabe numa frase: o que é bom há de durar para sempre!

Os eternos amigos das noites escuras e frias, os filósofos e pensadores, talvez tenham como missão vital, nos preparar para a aceitação de que tudo tem um fim. O filósofo romano Sêneca escreveu que "os golpes são amortecidos quando você não é surpreendido por eles" Montaigne afirmou que "a hora da morte é a ocasião que define a estatura moral da pessoa". Sêneca demonstrou uma coragem extraordinária na sua hora. Se tivesse fraquejado, suas palavras não ganhariam a eternidade e não inspirariam, na posteridade, gênios como Montaigne.

Aceitar os fatos. Não se revoltar contra eles. Encarar com serenidade e coragem o inevitável fim das coisas. Com diferentes palavras, encontramos tais conceitos em todos os filósofos importantes. E no entanto, parecemos condenados a recusar o fim, o que apenas eleva, aumenta a carga de sofrimento e aflição. Milarepa, o sábio tibetano, morava perto de um cemitério para jamais esquecer que a morte o aguardava. Os romanos tinham um ditado com o mesmo objetivo: MEMENTO MORI. Que significa: LEMBRE-SE DE QUE VAI MORRER.

Pode-se estar pensando agora que tudo isso é morbidez? Não. não é. É exatamente o oposto. Vive-se melhor quando se aceita que tudo tem um tempo para acabar. Em dias de aceleração crescente, na loucura da vida moderna, na luta desumana pela sobrevivência, podemos querer que nem tudo seja assim. Podemos procurar eliminar ou diminuir essa ansiedade crescente que toma o corpo e a alma do homem moderno. Sabemos que não tem que ser assim. Podemos e devemos rir mais. Podemos e devemos relaxar mais. Podemos e devemos levar as coisas e a nós mesmos, menos a sério. Podemos e devemos entender que a resposta para nossas questões está, no final das contas, em nós mesmos. E que todo o dinheiro do mundo não compra o bem mais precioso que existe: à tranquilidade da alma. Lembremos que o momento da partida é apenas um suspiro mais demorado. E recomeçamos...